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Tarcísio diz que não repetiria boné de Trump e confia nas urnas

Por Jornal Diário · · 3 min de leitura
Tarcísio diz que não repetiria boné de Trump e confia nas urnas
Foto: Pablo Jacob/Governo do Estado de SP/Divulgação

Segundo o governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ele não voltaria a colocar o boné de apoio ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e afirmou confiar nas urnas eletrônicas. A declaração foi dada nesta terça-feira (4) em entrevista à RedeTV!. Na ocasião, o governador também negou que Eduardo Bolsonaro (PL) tenha tido peso para determinar novas tarifas americanas contra produtos brasileiros.

De acordo com o governador, o uso do acessório, registrado em janeiro de 2025 durante a posse de Trump, ficou restrito àquele contexto. Tarcísio afirmou que não repetiria o gesto hoje, pois entende que o episódio não tem relação com as medidas comerciais adotadas posteriormente pelos Estados Unidos. O governo americano anunciou, meses depois, tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, relacionando a medida ao tratamento dado a Jair Bolsonaro (PL) e a decisões do Judiciário brasileiro. Em julho deste ano, uma nova tarifa de 25% foi adotada ao fim de uma investigação comercial iniciada em 2025.

Sobre a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, Tarcísio minimizou a influência do aliado. Segundo ele, Eduardo não teria peso para tomar decisões pelo governo americano, classificando essa interpretação como uma narrativa. O governador afirmou que as medidas envolvem interesses comerciais dos dois países e que cabe à diplomacia negociar. Ele disse que sua gestão se reuniu com setores atingidos pelas tarifas e liberou créditos acumulados de ICMS para dar fôlego ao caixa das empresas. Caso as sobretaxas se prolonguem, Tarcísio afirmou que pretende manter medidas de crédito e liberação de valores tributários retidos.

O governador atribuiu às negociações conduzidas pelo governo paulista e pelas empresas a inclusão de produtos na lista de exceções. Segundo ele, a paradiplomacia funcionou bem, citando os setores de aviação, papel, café solúvel e suco de laranja. Na entrevista, Tarcísio reiterou a confiança nas urnas eletrônicas e disse que, se não confiasse no sistema, não seria candidato. Ele afirmou que já se manifestou diversas vezes sobre os ataques ao sistema eleitoral e que o foco deve ser o projeto de governo.

A declaração ocorre três dias depois de Tarcísio ter sido oficializado candidato à reeleição em convenção estadual ao lado de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência. No evento, agradeceu a Jair Bolsonaro e concentrou o discurso na disputa paulista. Nesta terça, Tarcísio afirmou que defendeu internamente uma aliança nacional do Republicanos com Flávio, mas a legenda decidiu ficar neutra na eleição presidencial. Ele reconheceu que a decisão reduz o tempo de propaganda do candidato do PL, mas relativizou o impacto.

O governador também voltou a tratar do caso Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro. Flávio confirmou que pediu dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a produção e negou irregularidades. A Polícia Federal investiga o destino dos repasses, em inquérito autorizado pelo ministro André Mendonça, do STF. Tarcísio disse ter cobrado explicações públicas do senador, pois o eleitor está cansado de escândalos de corrupção, mas considerou o assunto esclarecido. Ele negou que o episódio tenha relação com o governo paulista ou com sua campanha.

No mesmo dia, Tarcísio defendeu o modelo de concessões ferroviárias durante uma greve que afetou as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), que transportam cerca de 785 mil passageiros em dias úteis. A paralisação, convocada contra a concessão dos ramais e em protesto por falhas em linhas já transferidas à iniciativa privada, provocou superlotação e atrasos. O governador afirmou que os contratos ainda estão no início e prometeu investimentos em sinalização, novos trens e acessibilidade. Antes da entrevista, ele havia classificado a greve como instrumentalização política e afirmado que o movimento não alteraria o plano de concessões.

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