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PF aponta ligações entre senador e ministro do STJ

Por Jornal Diário · · 3 min de leitura
PF aponta ligações entre senador e ministro do STJ
senador weverton rocha

Segundo a Polícia Federal, existem comunicações reiteradas entre o senador Weverton Rocha (PDT-MA) e o ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) Humberto Martins durante o período em que o magistrado relatou uma investigação relacionada a um homicídio em São Luís. A suspeita da PF é de que houve tentativa de interferência do senador nesse inquérito, que investiga se o homicídio está ligado a uma suposta cobrança de propina por Daniel Brandão, atual presidente do TCE (Tribunal de Contas do Estado) do Maranhão, sobrinho do governador do estado, Carlos Brandão (MDB).

De acordo com a PF, as comunicações foram identificadas a partir de uma análise do celular de Weverton, apreendido no ano passado na operação que investiga suspeitas de desvios relacionados ao INSS. O órgão informou que os dados do aparelho revelam comunicações diretas com o ministro Humberto Martins, mantidas de forma reiterada entre 25 de janeiro de 2023 e 4 de outubro de 2025. Conforme a análise, esses contatos ocorreram por meio de diferentes canais, incluindo mensagens de texto, áudios, ligações telefônicas e compartilhamento de mídias.

A PF afirmou que o conteúdo acessível evidencia diálogos sobre encontros pessoais e processos sob relatoria do ministro, indicando uma relação de proximidade que ultrapassa os limites de uma interação meramente formal ou institucional. O órgão destacou que o senador fazia pedidos ao ministro sobre ações que tramitavam sob sua relatoria e que houve um encontro pessoal no gabinete do magistrado em agosto do ano passado.

Segundo a PF, um registro de 2 de junho do ano passado mostra trocas de mensagens e uma ligação atendida de cerca de cinco minutos, seguida de um áudio em que o senador menciona dificuldades de conexão. Na mesma data, conforme o órgão, Martins determinou a transferência de Gilbson Cesar Soares Cutrim Júnior, condenado por ser o executor do assassinato do empresário João Bosco Sobrinho em 2022, do presídio de Pedrinhas, na capital maranhense, para Brasília. Gilbson Cutrim foi condenado a 13 anos de prisão pela Justiça maranhense.

O caso que estava aberto no STJ apurava se o assassinato de Bosco Sobrinho está ligado a uma suposta cobrança de propina por Daniel Brandão. Em novembro de 2025, devido às suspeitas relacionadas a Weverton, o caso foi para o Supremo Tribunal Federal, sob responsabilidade do ministro Flávio Dino. A menção aos telefonemas está em uma decisão de Dino tornada pública nesta sexta-feira (14). A PF também apura se o assassinato teria relação com suspeitas de desvios de emendas parlamentares de contratos firmados no Maranhão.

Procurado, o senador Weverton Rocha não se manifestou. O ministro Humberto Martins, que não é investigado formalmente, também foi procurado e não se posicionou. Conforme a Folha de S.Paulo, o episódio virou ponto central nas discussões da corrida pré-eleitoral pelo Governo do Maranhão e tem provocado trocas de acusações entre grupos políticos locais.

Procurados por meio da assessoria, Carlos e Daniel Brandão não se manifestaram. Em declarações anteriores, Carlos Brandão afirmou que os processos que enfrenta desde 2024 decorrem de narrativas manipuladas e surgiram após um distanciamento político de um grupo que persistia em se manter permanentemente nos espaços públicos de poder. Daniel Brandão, por sua vez, disse que repudia as reiteradas tentativas de associar seu nome a fatos criminosos sem qualquer prova e que as alegações decorrem exclusivamente de narrativas em períodos de disputa eleitoral.

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