Cachê de Ana Castela consome 8,7% do FPM de Nova Belém
Prefeitura mineira de 3,1 mil habitantes pagou R$ 900 mil à cantora, valor que integra lista de 26 contratos somando R$ 22,68 milhões em 2026

A prefeitura de Nova Belém, cidade de Minas Gerais com 3.151 habitantes, pagou R$ 900 mil à cantora Ana Castela para uma apresentação musical em 2026. O valor representa 8,7% dos R$ 10,34 milhões que o município recebeu do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) no mesmo ano, segundo dados do Tesouro Transparente citados pelo Metrópoles e pelo Diário da Mídia.
O FPM é um dos principais mecanismos de transferência de recursos do governo federal às prefeituras brasileiras, usado para custear despesas correntes das administrações municipais. Na prática, cada R$ 100 recebidos por Nova Belém via FPM tiveram quase R$ 9 direcionados ao cachê da artista.
Quantos contratos Ana Castela tem com prefeituras
O show em Nova Belém integra uma lista de 26 contratos firmados entre prefeituras brasileiras e a cantora para apresentações ao longo de 2026, conforme levantamento feito no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP). Somados, esses contratos totalizam R$ 22,68 milhões em cachês.
Segundo o Metrópoles, a maior parte das cidades contratantes é administrada por gestões de partidos de direita ou de centro, com destaque para o PSD, seguido por Progressistas e PSDB. Nova Belém é comandada pelo prefeito Valdeci Dornelas, do PSD.
Emenda federal financia show no Rio de Janeiro
Além dos contratos mapeados no PNCP, Ana Castela vai receber R$ 850 mil para se apresentar na Expo São Fidélis, no interior do Rio de Janeiro. Esse cachê será pago com recursos de uma emenda federal de R$ 1 milhão, solicitada pela deputada Dani Cunha (PL-RJ) através da Comissão de Turismo da Câmara, dentro do programa oficial batizado de "Turismo com Música".
A prefeitura de São Fidélis, administrada pelo PL, afirmou que a verba tem destinação específica e não pode ser usada para outros fins. A cantora será a atração principal da festa do padroeiro da cidade, com público estimado em 4 mil pessoas.
Repercussão após foto com Nikolas Ferreira
Os contratos ganharam mais atenção depois que uma foto de Ana Castela ao lado do deputado federal Nikolas Ferreira, durante a Festa do Peão de Barretos, circulou nas redes sociais. Na imagem, a cantora aparece fazendo o sinal de número 22 com as mãos, gesto associado ao PL, partido do parlamentar e do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ela também interagiu com a publicação feita por Nikolas e deixou emojis nos comentários, o que gerou críticas de parte do público, incluindo fãs da artista. Uma página de fãs dedicada à cantora, identificada como Info Ana Castela, anunciou o fim de suas atividades em razão da repercussão. "Não compactuamos, não apoiamos e não seremos coniventes com discursos ou atitudes que vão contra aquilo em que acreditamos", declarou a equipe da página, segundo registro do Diário da Mídia.
O que observar a partir de agora
Os valores pagos a artistas por prefeituras de pequeno porte tendem a repetir esse padrão de debate sempre que contratos são divulgados em portais de transparência, já que municípios pequenos dependem fortemente de repasses federais como o FPM para funcionar. Não há, até o momento, indicação de que os contratos identificados sejam ilegais ou estejam fora das regras de licitação pública.
Quem quiser acompanhar o tema pode consultar o PNCP para verificar contratos musicais firmados por outras prefeituras, já que o mecanismo é público. Sobre a repercussão política envolvendo a cantora, ainda não há posição oficial dela sobre as críticas recebidas nas redes, e o desfecho da relação com páginas de fãs que anunciaram afastamento também não foi confirmado de forma definitiva pelas fontes consultadas.


