Jornalismo de Brasília perde Luiz Gutemberg aos 89 anos

Segundo o Jornal de Brasília, o jornalismo da capital perdeu neste domingo (16/8) um de seus nomes mais marcantes. De acordo com o veículo, Luiz Gutemberg morreu aos 89 anos, vítima de pneumonia, e estava internado no Hospital do Coração, em Brasília. Conforme a publicação, o jornalista, que era nascido em Maceió, construiu uma carreira por grandes veículos da imprensa brasileira e manteve forte ligação com a capital federal.
De acordo com o Jornal de Brasília, Gutemberg chegou a ocupar a direção do periódico e deixou uma marca reconhecida pela capacidade de renovar a cobertura jornalística. Ainda segundo o jornal, ele reuniu profissionais de destaque nas áreas política e econômica e era conhecido pelo olhar apurado para a primeira página e pela escolha de pautas. Em declaração ao veículo, o editor-chefe da versão impressa, Ricardo Nobre, afirmou que Gutemberg foi um grande inovador em sua passagem pelo jornal. Nobre disse que o jornalista montou uma equipe de nomes de peso na cobertura política, como Cristiana Lôbo, e também na economia, além de ser um craque na confecção da primeira página e na sugestão de pautas. O editor acrescentou que Gutemberg era muito querido e respeitado por todos da redação e pelos leitores, classificando a perda como significativa para o jornalismo de Brasília e do Brasil.
Conforme o Jornal de Brasília, a carreira de Gutemberg começou no Rio de Janeiro, no fim dos anos 1950, no Jornal do Brasil, durante uma fase de transformação do veículo comandada por Odylo Costa Filho. O periódico informou que ele também passou pela revista Veja e pela Rede Bandeirantes. Em Brasília, de acordo com a publicação, Gutemberg tornou-se uma figura importante da imprensa local e recebeu, em 1995, o título de Cidadão Honorário de Brasília. O registro da Câmara Legislativa, citado pelo jornal, destaca a passagem dele pela direção do Jornal de Brasília, a atuação na revista Veja e na TV Bandeirantes e o trabalho como professor de Técnica de Jornal na Universidade de Brasília.
Segundo o Jornal de Brasília, ao voltar ao periódico em 1997, Gutemberg colocou em prática ideias pouco comuns para a época. O então editor Cláudio Tourinho, que trabalhou com ele na redação, lembrou, conforme a publicação, que o jornalista pensava em uma estrutura mais participativa e chegou a propor uma redação circular, com o editor-chefe no centro e bancadas voltadas para a integração da equipe. Tourinho afirmou ao jornal que Gutemberg viu no veículo a possibilidade de experimentar, inovar e recriar na capital do país modelos que estavam sendo testados pelo mundo. A publicação também informou que, entre as novidades, ele trouxe para a primeira página o conceito italiano de pastone, com textos assinados que reuniam e comentavam os principais assuntos do dia. Para Tourinho, Gutemberg tinha a capacidade de transformar a rotina da redação sem perder a leveza, sempre carregando um sorriso que misturava tranquilidade e experiência.
De acordo com o Jornal de Brasília, a relação de Gutemberg com a política foi além das pautas, e ele se tornou biógrafo de Ulysses Guimarães, um dos principais personagens da redemocratização brasileira. Conforme a publicação, em 1994, ele publicou a obra Moisés, codinome Ulysses Guimarães, dedicada à trajetória do político. O jornal informou que o jornalista também participou de trabalhos relacionados à memória parlamentar de Ulysses e foi convidado para debates e programas sobre a história política brasileira. Ainda segundo o veículo, Gutemberg construiu trajetória na literatura, escrevendo romances e peças teatrais, com obras como O Anjo Americano. Em Brasília, conforme o jornal, a produção dele chegou aos palcos, e uma das primeiras peças apresentadas no espaço que hoje é o Espaço Cultural Renato Russo, na 508 Sul, foi de sua autoria.


