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Denunciante muda versão sobre acusação a vice de Flávio

Por Jornal Diário · · 4 min de leitura
Denunciante muda versão sobre acusação a vice de Flávio
foto: Evaristo Sá/AFP

Segundo informações apuradas pela Folha de S. Paulo, o homem apontado como estopim da acusação de estupro de vulnerável contra o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), candidato a vice-presidente na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL), apresentou versões contraditórias nos últimos cinco meses em contatos com congressistas e com a imprensa.

De acordo com a reportagem, Luiz Antônio Lopes é a pessoa que procurou o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) e a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) durante a CPI Mista do INSS. Na ocasião, ele afirmou que Gaspar, então relator da comissão, teria estuprado e engravidado uma adolescente, dizendo ter provas e os contatos da vítima. Ainda conforme a apuração, o caso foi explorado politicamente por parlamentares governistas, que encaminharam uma notícia-crime à Polícia Federal em 27 de março.

A Folha de S. Paulo relatou que Luiz Antônio também procurou o gabinete de Gaspar e, em abril, mudou a versão inicial. Em depoimento à Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados, ele afirmou que houve uma armação orquestrada por Lindbergh. Uma semana depois desse depoimento, ele se filiou ao PL.

Em conversa recente com a reportagem, Luiz Antônio voltou a alterar o relato. Segundo o jornal, ele retomou a acusação contra Gaspar e prometeu apresentar provas, mas não as exibiu. Procurado na segunda-feira (10), ele não respondeu. Já na terça-feira (11), conforme a Folha, ele adotou um discurso divergente do da semana anterior, afirmando que uma moça contratada gravaria um vídeo dizendo a verdade e que houve uma armação contra Gaspar, mas negou ter mudado de versão.

O depoimento de Luiz Antônio à Polícia Legislativa, de acordo com a Câmara dos Deputados, foi enviado ao STF em maio. A Câmara informou que o caso não foi investigado devido à citação de Lindbergh, que possui foro especial. A Polícia Federal pediu a abertura de inquérito sobre o suposto crime em 15 de abril, e o ministro relator, Gilmar Mendes, solicitou um posicionamento da PGR sobre o requerimento.

Quando foi anunciado como vice na chapa de Flávio Bolsonaro, Gaspar pediu à PGR e ao STF que acelerassem um exame de DNA que, segundo ele, afastaria a acusação. Ele também afirmou que levará adiante um processo contra Lindbergh e Soraya por calúnia, denunciação caluniosa, injúria e coação no curso do processo.

Em nota divulgada na terça-feira (11), a campanha do PL reafirmou que o caso é falso. De acordo com a nota, a denúncia surgiu por causa da atuação de Gaspar na CPI do INSS, quando ele pediu o indiciamento do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A campanha disse que Gaspar é um homem íntegro e que passou a ser alvo da acusação falsa no dia em que pediu a prisão de Lulinha. A nota também afirmou que não irão parar até Lulinha responder por seus atos e que todos os que colaborarem para a difusão de notícias falsas serão chamados a responder criminalmente.

Em seu depoimento à Polícia Legislativa, Luiz Antônio declarou que uma mulher foi paga para dizer a uma repórter que havia sido estuprada pelo deputado quando tinha 13 anos. Segundo a versão dada à jornalista, dessa violência teria nascido uma criança, hoje com 8 anos. Ainda no depoimento, ele afirmou que empregou a mulher em um quiosque em um shopping no Rio de Janeiro e acusou Lindbergh, por meio de pessoas supostamente ligadas a ele, de bancar a farsa para prejudicar Gaspar.

A Folha de S. Paulo conversou com Luiz Antônio por mensagens de WhatsApp na semana passada. O número usado por ele é o mesmo informado à Polícia Legislativa como sendo da suposta farsante. Na ocasião, ele manteve a acusação contra Gaspar, mas não apresentou provas e disse ter dificuldades para falar com a alegada vítima, citando falta de dinheiro para viajar até a casa dela no interior do Rio. Ele afirmou manter contato com a suposta vítima, hoje com 22 anos, mas forneceu apenas os primeiros nomes dela e da criança, Jailma e Eloá, sem apresentar indícios da existência delas.

A senadora Soraya Thronicke não quis se manifestar sobre o caso. A assessoria de imprensa da senadora informou que o processo está em segredo de Justiça e que os esclarecimentos estão sendo prestados às autoridades. Já Lindbergh apresentou à reportagem vídeos antigos em que é atacado por Luiz Antônio. Em uma das gravações, o homem afirma que o deputado seria um dos mandantes da facada contra o ex-presidente Jair Bolsonaro em 2018, informação que a reportagem classificou como falsa.

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