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Como O Irlandês reuniu De Niro, Pacino e Pesci no cinema

Entenda como a visão de Martin Scorsese juntou três grandes atores e deu forma a Como O Irlandês reuniu De Niro, Pacino e Pesci no cinema.

Por Jornal Diário · · 10 min de leitura
Como O Irlandês reuniu De Niro, Pacino e Pesci no cinema

Alguns encontros do cinema parecem aguardados por décadas, e este realmente levou muito tempo para acontecer. Como O Irlandês reuniu De Niro, Pacino e Pesci no cinema ao colocar frente a frente três nomes ligados a histórias marcantes de crime, poder e lealdade. Robert De Niro e Joe Pesci já tinham uma longa parceria com Martin Scorsese, enquanto Al Pacino representava uma presença muito esperada dentro da filmografia do diretor.

Lançado em 2019, o filme acompanha Frank Sheeran, um caminhoneiro que entra no mundo do crime organizado e se aproxima de Russell Bufalino e Jimmy Hoffa. A trama percorre várias décadas e mistura lembranças pessoais com acontecimentos históricos dos Estados Unidos. Para contar essa trajetória, Scorsese precisou combinar um elenco raro, uma produção de grande escala e recursos digitais capazes de mostrar os atores em diferentes idades.

O resultado não depende apenas da fama dos protagonistas. A reunião funciona porque cada ator ocupa uma posição bem definida na história, com estilos de interpretação diferentes e relações que mudam conforme o tempo passa. A seguir, você vai entender como esse projeto saiu do papel e por que ele se tornou um marco na carreira dos três artistas.

Como O Irlandês reuniu De Niro, Pacino e Pesci no cinema

A origem do projeto está no livro I Heard You Paint Houses, escrito por Charles Brandt. A obra apresenta as memórias de Frank Sheeran, veterano de guerra que afirmou ter trabalhado para a máfia e ter participado do desaparecimento de Jimmy Hoffa. O roteiro adaptado por Steven Zaillian transformou esse material em uma narrativa sobre memória, culpa, amizade e passagem do tempo.

Martin Scorsese se interessou pelo projeto porque ele permitia contar uma história de gângsteres por outro ângulo. Em vez de acompanhar apenas a ascensão de um criminoso, o filme observa o personagem já idoso, tentando entender as escolhas que fez. Esse ponto de vista deu à produção um tom mais reflexivo, com menos foco em cenas de ação e mais atenção às consequências de cada decisão.

Robert De Niro entrou como Frank Sheeran, o centro da narrativa. O ator já tinha trabalhado com Scorsese em filmes como Taxi Driver, Touro Indomável, Os Bons Companheiros e Casino. Essa relação profissional ajudou a formar a base do projeto, porque diretor e intérprete já conheciam o ritmo de trabalho um do outro e a maneira de construir personagens reservados.

Joe Pesci foi escolhido para viver Russell Bufalino, um líder mafioso que se torna uma espécie de guia para Frank. Pesci e Scorsese também tinham uma parceria conhecida, marcada por personagens intensos e explosivos. Neste filme, porém, o ator seguiu um caminho mais contido, com falas baixas, gestos pequenos e uma autoridade que aparece sem precisar de grandes demonstrações.

Al Pacino completou o trio como Jimmy Hoffa, líder sindical que mantinha uma relação próxima e complicada com Frank. Embora Pacino já fosse reconhecido por trabalhos como O Poderoso Chefão e Serpico, ele ainda não havia atuado em um longa dirigido por Scorsese. A escolha criou uma expectativa especial, pois o filme reuniria um diretor associado ao cinema criminal e um ator com forte presença nesse mesmo gênero.

Por que Al Pacino demorou a trabalhar com Scorsese

A parceria entre Pacino e Scorsese demorou a acontecer por uma combinação de projetos que não avançaram e caminhos profissionais diferentes. O diretor construiu parte importante de sua carreira ao lado de De Niro, enquanto Pacino seguiu outras colaborações marcantes. O encontro só ganhou forma quando o papel de Jimmy Hoffa apareceu com força suficiente para convencer o ator.

Pacino encontrou em Hoffa um personagem de grande energia pública. O líder sindical era conhecido por discursos fortes, gestos largos e uma capacidade particular de atrair seguidores. Para interpretar essa figura, o ator adotou uma atuação expansiva, que contrasta com o silêncio calculado de Pesci e a postura observadora de De Niro.

Essa diferença entre os três estilos dá movimento às cenas. Hoffa fala como alguém acostumado a comandar multidões. Bufalino prefere controlar o ambiente por meio de pausas e sugestões. Frank fica entre os dois, quase sempre observando antes de agir e tentando cumprir ordens sem romper com as pessoas de quem se aproximou.

O filme também mostra como a relação entre Frank e Hoffa se torna difícil. Existe admiração, mas também existe uma dependência construída ao longo dos anos. Frank trabalha para grupos criminosos e, ao mesmo tempo, desenvolve uma amizade com Hoffa. Essa divisão transforma o protagonista em alguém preso entre deveres que não podem ser atendidos ao mesmo tempo.

Como Joe Pesci aceitou voltar ao cinema

Joe Pesci tinha reduzido bastante sua participação em filmes antes de O Irlandês. Por isso, sua escalação chamou atenção desde o início. Scorsese e De Niro precisaram insistir para que ele aceitasse o papel de Russell Bufalino, já que o ator não queria simplesmente repetir os mafiosos agressivos que marcaram parte de sua carreira.

A proposta do diretor era diferente. Bufalino não seria um personagem movido por explosões constantes, mas um homem que domina conversas e situações pela calma. Esse tipo de atuação exigia que Pesci controlasse a própria energia e usasse o silêncio como ferramenta dramática. Dramaturgia é a forma como uma história organiza conflitos, relações e mudanças dos personagens.

O resultado aparece em cenas nas quais Bufalino quase não levanta a voz. Ele escolhe palavras com cuidado, oferece conselhos de modo indireto e percebe riscos antes dos demais. A ameaça não está apenas no que diz, mas também no que deixa de dizer. Essa escolha torna o personagem mais difícil de decifrar e reforça sua posição dentro da trama.

Pesci também ajuda a mostrar que o poder naquele universo não depende apenas de violência visível. Um gesto discreto pode indicar uma ordem, uma pausa pode revelar desconfiança e uma conversa cotidiana pode esconder uma decisão grave. A interpretação funciona pela economia, que significa transmitir muito usando poucos movimentos.

O desafio de envelhecer os atores em uma única história

Como a narrativa acompanha Frank, Russell e Hoffa durante muitos anos, os atores precisavam interpretar versões mais jovens e mais velhas de seus personagens. Em uma produção tradicional, isso poderia exigir maquiagem pesada ou a troca dos intérpretes em cada fase. Scorsese preferiu manter os mesmos atores para preservar a conexão entre as diferentes idades.

Para isso, a equipe usou rejuvenescimento digital, recurso que altera a imagem do rosto para reduzir sinais de idade. Câmeras especiais registraram informações adicionais durante as filmagens, permitindo que os efeitos fossem aplicados depois. O objetivo não era criar rostos totalmente diferentes, mas suavizar características para que os personagens parecessem mais jovens.

A técnica trouxe uma dificuldade própria. Os atores precisavam interpretar homens mais novos sem depender apenas da aparência. De Niro, Pacino e Pesci ajustaram postura, velocidade dos movimentos e maneira de falar, mas não abandonaram completamente seus estilos. Em alguns momentos, o público percebe a idade real nos gestos, o que faz parte da experiência do filme.

Esse aspecto é importante porque O Irlandês não trata o tempo apenas como uma mudança visual. A passagem dos anos aparece no corpo, nas relações e no modo como Frank recorda os acontecimentos. O envelhecimento digital ajuda a contar a cronologia, mas a interpretação mostra o peso emocional acumulado por cada personagem.

Como a produção criou o encontro entre os três atores

O projeto também dependeu de uma estrutura de produção maior do que a de muitos filmes de crime. Produção cinematográfica é o conjunto de etapas que envolve financiamento, preparação, filmagem, montagem e distribuição. Como O Irlandês tinha longa duração, elenco conhecido e efeitos digitais caros, o orçamento precisava acompanhar a escala da proposta.

A Netflix assumiu o financiamento e a distribuição do filme, permitindo que Scorsese mantivesse o controle criativo sobre a obra. O longa teve exibição limitada nos cinemas antes de chegar ao catálogo da plataforma. Essa estratégia combinou a experiência da sala de cinema com o alcance do streaming, que é a transmissão de conteúdo pela internet.

A duração também foi parte importante do projeto. Com mais de três horas, o filme acompanha relações durante décadas e reserva tempo para conversas, deslocamentos e lembranças. Em vez de resumir toda a trajetória de Frank em cenas rápidas, Scorsese deixa os acontecimentos acumularem significado. O ritmo lento não é um acidente, mas uma escolha para destacar a velhice e a memória.

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O que cada ator acrescenta à história

  • Robert De Niro como Frank Sheeran: apresenta um homem reservado, eficiente e acostumado a obedecer. Sua interpretação depende de olhares e reações discretas, mostrando alguém que raramente explica o que sente.
  • Al Pacino como Jimmy Hoffa: cria uma figura pública intensa, carismática e temperamental. O personagem ocupa o espaço com a voz e transforma cada conversa em uma disputa de autoridade.
  • Joe Pesci como Russell Bufalino: representa o poder silencioso. Ele raramente precisa ameaçar diretamente, porque os outros personagens já conhecem sua influência e compreendem o peso de suas decisões.

A força do elenco está no contraste. Se os três tivessem a mesma forma de atuar, as relações perderiam clareza. Frank é o executor, Hoffa é o líder público e Bufalino é o articulador, nome dado a quem organiza decisões nos bastidores. Cada posição cria um tipo diferente de tensão.

As cenas entre De Niro e Pacino são especialmente importantes porque mostram duas formas de lealdade. Hoffa espera proximidade e defesa pessoal, enquanto Frank está preso a uma estrutura que exige obediência. O conflito não nasce apenas de uma ordem, mas da impossibilidade de conciliar amizade e serviço.

Por que essa reunião demorou tanto para acontecer

Reunir os três atores exigia mais do que reservar datas na agenda. Era necessário encontrar uma história capaz de justificar a presença de cada um, convencer Pesci a retornar, garantir o interesse de Pacino e criar uma produção que sustentasse o trabalho de Scorsese. O projeto levou anos até encontrar as condições certas.

Também havia uma questão de momento profissional. De Niro e Pacino já carregavam uma história extensa no cinema, mas ainda podiam explorar personagens diferentes daqueles que os tornaram famosos. Pesci, por sua vez, precisava enxergar no papel uma razão para voltar. Bufalino oferecia essa oportunidade ao trocar a agressividade por controle e experiência.

O resultado não é uma reunião feita apenas para provocar nostalgia. Nostalgia é a lembrança afetiva de um período passado. O filme usa a história dos atores como parte de sua linguagem, mas pede que eles construam personagens com novas camadas. O público reconhece os rostos, porém encontra comportamentos menos previsíveis.

Para quem gosta de entender outras reuniões marcantes do cinema e os bastidores de grandes produções, também vale consultar este conteúdo sobre histórias do cinema. Comparar diferentes elencos ajuda a perceber como diretor, roteiro e atores precisam trabalhar na mesma direção.

O legado de O Irlandês para o cinema

O Irlandês ocupa um lugar particular na carreira de Scorsese porque reúne temas que atravessam seu trabalho, como crime, amizade, culpa e perda. A diferença está na idade dos personagens e na forma como o filme observa o passado. Em vez de tratar a violência como aventura, a narrativa mostra o vazio que pode permanecer depois das decisões.

A reunião de De Niro, Pacino e Pesci também funciona como encontro entre três tradições da atuação norte-americana. De Niro oferece contenção, Pacino apresenta intensidade e Pesci trabalha com silêncio. Juntos, eles criam uma dinâmica que sustenta a longa duração e mantém o foco nas relações humanas.

O filme pode ser visto como uma história criminal, mas também como um estudo sobre memória. Memória é a maneira como uma pessoa reorganiza acontecimentos passados, nem sempre de forma completa ou confiável. Frank conta sua trajetória quando já está velho, e essa distância muda o sentido de tudo que o público vê.

Agora fica claro como Como O Irlandês reuniu De Niro, Pacino e Pesci no cinema: Scorsese encontrou uma história adequada, De Niro sustentou o centro da narrativa, Pacino trouxe Hoffa para a tela e Pesci aceitou interpretar o poder pela calma. Para entender melhor essa parceria, assista ao filme com atenção às pausas, aos gestos e às mudanças nas relações ao longo dos anos.

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